Como são criados os porcos

Pensemos na vida de uma porca prenha. A sua incrível fertilidade é a fonte do inferno específico em que vive. Enquanto uma vaca tem apenas um vitelo de cada vez, a moderna porca parideira industrial tem, amamenta e cria uma média de 9 bácoros.

 

 A porca será invariavelmente mantida prenhe o mais possível, quase toda vida. Depois de os leitões terem sido desmamados, uma injeção de hormonas fará com que a porca fique rapidamente pronta para ser inseminada artificialmente em apenas 3 semanas. Quatro em cada cinco vezes,a porca vai passar as dezasseis semanas de gravidez limitada a uma “gaiola de gestação”, tão pequena que o animal nem é capaz de se virar. 


A densidade óssea vai reduzir-se devido à falta de movimento. Não vai ter cama e muitas vezes, por raspar nas grades, desenvolve chagas escuras cheias de pus do tamanho de moedas.

Mais grave e abrangente é o sofrimento provocado pelo enfado e pelo isolamento, e pela frustração do poderoso instinto da porca para se preparar para os bácoros que vem a caminho. Em estado natural, a porca passaria grande parte do tempo antes do parto a forragear e finalmente iria construir ninho com erva, folhas ou palha. Para evitar um ganho excessivo de peso e para reduzir ainda mais os custos com a alimentação, a parideira enjaulada verá o alimento ser-lhe limitado e muitas vezes passa fome. Os porcos apresentam a tendencia inata para usar zonas separadas para dormir e para defecar, algo completamente impossível quando confinados. Tal como a maioria dos porcos nos sistemas industriais, as porcas prenhes tem de deitar-se ou andar sobre os seus excrementos, para as forçar a atravessar o piso gradeado.

Quer sejam mantidas em gaiolas de gestação ou em pequenos currais durante a gravidez, quando dão à luz serão sempre confinadas a uma gaiola tão restritiva como a gaiola de gestação. Um trabalhador disse ser necessário “dar cargas de porrada (às vezes com barras de ferro), para as enfiar nas gaiolas, porque elas não querem entrar.

Um estudo do Comité Científico Veterinário da Comissão Europeia documentou que os porcos em gaiola revelam ossos enfraquecidos, riscos acrescidos de lesões nas pernas, problemas cardiovasculares, infecções urinárias e uma redução tão severa na massa muscular que a capacidade para o porco se deitar fica afetada.

 Outros estudos indicam que a genética deficiente, a falta de movimento e a má nutrição deixam 10 a 40% dos porcos com fragilidades estruturais, devido a problemas com fraqueza de joelhos, pernas arqueadas e metatarso varo. 

pigfarm

 Muitos porcos enlouquecem por causa da reclusão e roem obsessivamente as grades da gaiola, pressionam continuamente os bebedouros, ou bebem urina. Outros exibem comportamentos de pesar que os cientistas descrevem como “impotência aprendida”.

Temos finalmente os leitões, a justificação para o sofrimento das mães. Muitos bácoros nascem com deformações. Entre as doenças congênitas mais comuns incluem-se palato fendido, hermafroditismo,, mamilos invertidos, ausência de ânus, pernas deformadas e hérnias. Durante as primeiras quarenta e oito horas, as caldas e os colmilhos, os dentes caninos muitas vezes usados para morder os outros leitões, são extirpados sem qualquer anestésico, numa tentativa de minimizar os ferimentos infligidos pelos porcos uns aos outros quando competem pelas tetas da mãe.

Também durante esses dois primeiros dias, os bácoros criados na pecuária industrial são muitas vezes injetados com ferro, devido à probabilidade de o crescimento rápido e a reprodução intensiva da mãe ter deixado o leite fraco. No espaço de dez dias os testículos dos machos são arrancados, mais uma vez sem anestésicos. Desta vez o objectivo é alterar o sabor da carne.

Por sua conta, os leitões costumam deixar a teta da mãe por volta das quinze semanas, mas na pecuária industrial, serão desmamados normalmente aos quinze dias. Com este tempo os bácoros não conseguem digerir devidamente os alimentos sólidos, pelo que lhes são dado mais medicamentos para evitar a diarreia.

Os bácoros são depois obrigados a entrar em gaiolas de arame -“creches”. Essas gaiolas são empilhadas umas em cima das outras, caindo fezes e urina das gaiolas mais elevadas para cima dos animais que se encontram as mais baixas. Ficam nessas gaiolas o maior tempo possível até serem levados para currais apinhados. Os currais são deliberadamente mantidos cheios porque, não tendo grande espaço para se mexer, queimam menos calorias e engordam com menos alimento.

Apesar das condições a que estão sujeitos, uma barragem de antibióticos, hormonas, e outros produtos farmacêuticos na ração dos animais mantém-nos quase vivos até a altura do abate. As condições úmidas de reclusão, as quantidades atrozes de animais com sistemas imunitários enfraquecidos pelos stress e gases tóxicos dos excrementos e da urina que se vão acumulando tornam estes problemas quase ubíquos  Entre 30 a 70% dos porcos terão algum tipo de infecção respiratória no momento do abate.

Fonte: “Comer Animais” – J.S.:F:

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